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Correios no Correio

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Escrito por Gabriel Galo

Os Correios, chegados num motivo pra parar de entregar correspondência, pensaram em intervir. A alta gerência já veio na conta baixando a bola da plebe, “o faturamento é grande demais para isso, triplicou nesse mês.” Relatórios de mercado apontam que a Bic nunca vendeu tanta caneta. HP, então, fez festa na Bahia porque os mais modernos preferem computador à tradicional carta.

Assim foi e você não sabe.

Pois a verdade que arbitra e confunde é uma só: funcionários de azul e amarelo chegava com CARRINHO DE MÃO levando cartas para a redação do Correio. As recepcionistas do jornal baiano foram ter com a chefia “cada um que balance o seu e traga o homem de volta que eu não sou caixa postal pra ficar dando recado.”

O homem, vejam só que surpresa – aposto que você não esperava isso – era eu.

Algumas das carinhosas mensagens eu reproduzo para vocês aqui:

“Eita que o cabra é mizerávi!” Escreveu Lauro de Freitas, de Salvador. Tem coisa que não dá para inventar.

“Uma inundação de brocação.” Sacramentou Cláudio Niágara, de Cachoeira.

Umas mais assanhadas pedem coisas que dificilmente serão atendidas.

“Um homem desse deve ser a coisa mais linda. Botem uma foto dele no artigo, botem.” Tinturou a desconhecida Minerva Carla, da Graça. Com um pouco de esforço é possível ouvir seus suspiros pelo papel de carta e envelope perfumado. Acertou na lindeza – minha mãe concorda –, mas sinto que será necessário desapontá-la no que se refere à questão da foto. Nem tudo sai como imaginamos. Desculpa, Minerva.

Os chefes de redação se reuniram em estado de emergência. A pauta: coloca o cara para escrever e seja o que Deus quiser.

Assim, em plena segunda-feira nesta província bela e besta e toda lambuzada de dendê, mais um artigo meu no @Jornal Correio, na página 2, como sói ocorrer.

Os gloriosos carteiros poderão sorrir agradecidos e aposentar o carrinho de mão, pelo menos por agora. Conversei à paisana com um deles enquanto despejava uma pequena montanha de missivas na frente da recepcionista:

“Se eu vejo esse tal de Gabriel Galo na minha frente eu MATO!”

“Mas por que, rapaz?”

“Porque no meio dessas cartas aí já tem umas duas minhas e umas 4 da minha mulher que eu sei.”

Em sua frente, a moça apenas proferia lacônica, virando os olhos:

“É a porra um negócio desse?”

***

Sobre o autor

Gabriel Galo

Olá! Sou o Gabriel Galo, baiano de Salvador, torcedor do Vitória, administrador formado pela FEA/USP, empresário, metido a escritor e com coisas demais na cabeça. Aqui você vai encontrar contos, crônicas, ensaios e análises políticas sobre o Brasil, a Bahia, São Paulo e personagens fascinantes.

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